Por Liliana Bricarello (CRN 10-5881) | Nutricionista e colaboradora do CRN-10
Com a ágil circulação de notícias, é comum que novidades científicas de outros países despertem curiosidade no Brasil, mas é preciso entender que o que funciona em um contexto estrangeiro nem sempre reflete as necessidades do nosso povo.
A atualização das diretrizes alimentares dos Estados Unidos, apresentada por uma pirâmide invertida, despertou debates e movimentou a internet nos últimos dias.
No entanto, o CRN-10 (Conselho Regional de Nutrição da 10ª Região) destaca que as recomendações alimentares não são fórmulas universais, mas bússolas que devem apontar para a realidade social, cultural e epidemiológica de cada população.
Enquanto diferentes países buscam seus modelos, o Brasil já é protagonista global com o seu GAPB (Guia Alimentar para a População Brasileira). O grande diferencial do nosso guia, amplamente elogiado por organismos internacionais, foi deslocar o olhar dos nutrientes isolados — como gramas de proteínas ou gorduras — para focar no nível de processamento e qualidade nutricional dos alimentos.
A chamada classificação nova, que prioriza alimentos in natura ou minimamente processados e alerta contra os ultraprocessados, é a nossa maior aliada na prevenção de doenças crônicas, como diabetes, obesidade e agravos cardiovasculares. O GAPB ensina que a saúde não se explica apenas pela química do prato, mas pelo respeito aos sistemas alimentares e às formas de produção.
A segunda edição do GAPB, publicada em 2014, é mais que um manual técnico, é um guia que exalta a “comida de verdade”, valoriza o ato de cozinhar, a comensalidade (o prazer de comer junto) e a imensa diversidade cultural do nosso território.
Ao incentivar o consumo de alimentos locais, ele promove a saúde individual, a sustentabilidade ambiental e a economia regional. São orientações que fazem sentido para o brasileiro, respeitando nossos hábitos e nosso clima.
Para o CRN-10, é essencial que a população, os nutricionistas e os técnicos em nutrição e dietética valorizem este instrumento. O Guia Alimentar é uma referência segura que traduz ciência de ponta em práticas para o cotidiano.
Antes de buscarmos referências externas, devemos nos orgulhar e aplicar a excelência que produzimos em solo brasileiro. Afinal, uma alimentação saudável é aquela que nutre o corpo e respeita a nossa história.


