A ética na comunicação e na publicidade profissional continuam sendo um ponto de atenção para os nutricionistas de todo país. Em Santa Catarina, dados do Conselho Regional de Nutrição da Décima Região, mostram que mais de 25% das denúncias recebidas estão relacionadas diretamente ao compartilhamento de cupons, descontos e promoções, infringindo diretamente o Artigo 57 do Código de Ética e de Conduta. Este artigo não aparece de forma isolada na tipificação das denúncias. Em mais de 60% ele está acompanhado do Artigo 60, que trata da divulgação de marcas, produtos, empresas e outros ligados à atividade de alimentação e nutrição.

Já o Artigo 58, relacionado ao compartilhamento de imagens corporais com atribuição de resultados, como o “Antes x Depois” de si ou de terceiros, acompanha o Artigo 57 em mais de 70% das denúncias. Se avaliado de forma isolada, o Artigo 58 representa uma média de 64% das denúncias recebidas. 

O número expressivo acende um alerta sobre a necessidade dos profissionais ficarem mais atentos às normativas, visando a proteção da saúde e dos direitos do cidadão. “Não é coincidência que o artigo mais infringido (fotos de antes e depois) seja impulsionado pelas redes sociais, que ganham ainda mais força na Black Friday. Os nutricionistas precisam compreender que o Código de Ética não é um entrave, mas uma ferramenta de proteção da saúde pública contra a publicidade enganosa e também de validação da seriedade do seu trabalho” afirma Pietra Klein, Coordenadora Técnica do CRN10.

O Artigo 58 do Código de Ética do Nutricionista é claro ao proibir o uso de imagens corporais. A razão fundamental dessa proibição, explica o CRN10, é que a Nutrição é uma ciência voltada para a promoção da saúde e o bem-estar duradouro, e não um mero serviço com resultados estéticos pontuais e garantidos. “A saúde é um processo contínuo e individual, não um produto de resultado imediato. Ao prometer uma transformação espetacular com o ‘antes e depois’, o profissional desvia o foco do cuidado integral para a estética e, pior, gera expectativas no público,” reforça Pietra. “Essa regra protege a sociedade da visão mercantilista e simplista da Nutrição, garantindo que o foco permaneça no diagnóstico e na conduta ética”, completa.

Os profissionais denunciados por violação do Código de Ética são orientados pela Comissão de Ética, fixando um prazo para adequação da conduta nas redes sociais e caso o profissional não cumpra com a orientação, está sujeito a um Processo Ético-Disciplinar, que prevê penalidades que variam de advertência a multas e, nos casos mais graves, cassação do registro profissional. “Nosso papel é orientar, disciplinar e também fiscalizar para que o exercício da nutrição tenha foco no Direito à Saúde da população como um todo, na promoção e proteção da saúde física e mental dos pacientes.”

Com este alerta, o CRN-10 não apenas cumpre seu papel fiscalizador, mas reitera uma mensagem fundamental à sociedade: o foco da Nutrição deve ser a promoção de hábitos de vida sustentáveis, o combate a propaganda enganosa e a proteção da saúde física e mental dos pacientes.

 

O ângulo da propaganda enganosa

O uso de imagens de “antes e depois” para fins promocionais enquadra-se não apenas como infração ética profissional, mas pode ser caracterizado como propaganda enganosa perante o Código de Defesa do Consumidor (CDC).

Segundo a legislação, a publicidade que induz o consumidor ao erro sobre a natureza, características, qualidade ou resultados dos serviços é considerada enganosa. Como os resultados nutricionais dependem intrinsecamente do metabolismo, da rotina e da adesão individual de cada paciente, a exibição de um resultado alheio como promessa de sucesso para todos configura uma potencial falsidade. “Propaganda enganosa contém informações falsas, distorcidas ou omitidas sobre um produto ou serviço e induz o consumidor a erro. Portanto, publicações que apresentam ‘antes e depois’ podem sim ser consideradas publicidade enganosa se houver promessa de resultados milagrosos, pois isso induz o consumidor ao erro. E há muitas propagandas enganosas divulgadas no Instagram! O PROCON/SC orienta o consumidor que deseja emagrecer, busque profissionais qualificados, seja médico ou nutricionista, e duvide de medicamentos vendidos pela internet”, afirma a delegada Michele Alves, diretora do PROCON/SC.

 

Alerta para danos à saúde mental

A publicidade que se baseia em comparações corporais e promessas de “corpo ideal” ou mesmo de “corpo saudável”, pode contribuir para o aumento da insatisfação corporal, revelando uma dimensão ainda mais sensível e urgente dessa conduta: o impacto negativo para a saúde mental do público que consome tais conteúdos. “Ao deparar-se com um “antes e depois” de um corpo muitas vezes não replicável, o cidadão pode experimentar sentimentos de frustração, fracasso e até mesmo empenhar-se na busca de alternativas não saudáveis para tentar atingir o ideal publicizado busca por dietas extremas”, explica Rafael Frasson (CRP-12/05590), presidente do Conselho Regional de Psicologia da 12º região (CRP-12), em Santa Catarina.

A divulgação de resultados frequentemente são justificados como sendo práticas “inspiradoras” ou “motivadoras”, quando, na verdade, podem ter o efeito oposto, criando falsas expectativas sobre os resultados das  intervenções propagadas e da própria natureza destas. Isso ignora a individualidade física, comportamental e financeira dos sujeitos e, consequentemente, pode gerar frustração e desânimo em quem não atinge os objetivos esperados. Além disso, a maioria dos casos exibidos foca apenas na perda de peso corporal, negligenciando a verdadeira amplitude do conceito de saúde.

“A ênfase incessante em resultados estéticos por meio da comparação reforça a cultura em aspectos como a magreza e a vigorexia, acarretando danos físicos e psíquicos aos sujeitos. Quando a propaganda enganosa se consolida enquanto falha , o que resta ao consumidor por vezes é a  culpa e o prejuízo psicológico, minando a autoestima e as possibilidades de relação saudável com o próprio corpo e a alimentação,” reforça o presidente do CRP-12.

A Comissão de Saúde da Câmara dos Deputados aprovou projeto de lei que obriga operadoras de planos de saúde a cobrirem exames laboratoriais solicitados por nutricionistas. O texto aprovado altera a Lei dos Planos de Saúde.

Pela proposta, a cobertura deverá ser assegurada quando os exames forem indicados para “avaliação e acompanhamento nutricional” do paciente e estiverem de acordo com diretrizes e limites legais de atuação do profissional. A ampliação dessa competência por meios infralegais é expressamente proibida pelo projeto.

A comissão aprovou o substitutivo da relatora, deputada Carla Dickson (União-RN), ao Projeto de Lei 539/25, da deputada Clarissa Tércio (PP-PE). Originalmente, o projeto alterava a lei que regulamenta a profissão de nutricionista (Lei 8.234/91) para autorizar os pedidos de exames. O objetivo, segundo a autora, é impedir que operadoras de planos de saúde dificultem ou impeçam a solicitação desses exames pelos nutricionistas.

A relatora, no entanto, lembrou que a lei atual já permite que o nutricionista solicite exames laboratoriais e propôs incluir a previsão diretamente na lei dos planos de saúde. Dickson ressaltou que a solicitação de exames por nutricionistas não se confunde com o diagnóstico médico.

“O substitutivo garante a inclusão da cobertura dos exames laboratoriais solicitados pelo nutricionista, quando indicados para avaliação e acompanhamento nutricional, respeitados os limites da atuação profissional”, destacou.

Próximas etapas
A proposta será analisada, em caráter conclusivo, pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania. Para virar lei, o texto deve ser aprovado pela Câmara e pelo Senado.

 

Fonte: Agência Câmara de Notícias

Reportagem – Murilo Souza
Edição – Roberto Seabra

O Encontro Nacional de Fiscalização e Ética Profissional – ENFEP 2025, promovido pelo Sistema CFN/CRN, foi encerrado nesta sexta-feira (17/10) após quatro dias de debates, oficinas e construção coletiva de estratégias voltadas ao fortalecimento da atuação ético-fiscalizatória na Nutrição.

Com o tema “Ética e Fiscalização: dois pilares para fortalecer a confiança social no exercício da Nutrição”, o evento reuniu cerca de 200 colaboradores das áreas de ética e fiscalização dos conselhos regionais de todo o país. A programação propôs momentos de escuta, reflexão e integração, resultando na elaboração conjunta de diretrizes estratégicas para o triênio 2026–2028.

 

Nos dias seguintes à abertura, os participantes se dividiram em oficinas e grupos de trabalho que abordaram temas como o planejamento estratégico das áreas, o fortalecimento da comunicação com gestores e sociedade, e a integração entre ética e fiscalização. Também foram realizadas atividades práticas e estudos de caso, que estimularam a troca de experiências e a identificação de desafios e oportunidades de aprimoramento das ações no Sistema.

O último dia do encontro foi marcado pela mesa-redonda “Unicidade no Sistema e a importância da padronização de procedimentos”, seguida da leitura da Carta de Encaminhamentos do ENFEP 2025, documento que reúne compromissos e propostas para orientar as próximas ações conjuntas do CFN e dos CRN.

 

O encerramento reafirmou o compromisso do Sistema CFN/CRN com a transparência, a ética e o fortalecimento das práticas fiscalizatórias, reforçando o papel dos profissionais de Nutrição como agentes fundamentais na promoção da saúde e da confiança social.

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O Conselho Regional de Nutrição da 10ª Região (CRN-10) deu um passo decisivo em direção à modernização tecnológica. Em uma reunião estratégica com o Conselho Federal de Nutrição (CFN) e a empresa Implanta Informática, foi formalizado o início do processo de migração do atual sistema de gestão de inscritos e fiscalização.

Este projeto representa um marco para o CRN-10 e para todos os Nutricionistas e Técnicos em Nutrição e Dietética de Santa Catarina, já que o objetivo principal é implementar um sistema de ponta, que utilize tecnologias atuais e seguras, garantindo uma gestão mais eficiente dos serviços e, principalmente, proporcionando uma melhor experiência para todos os profissionais.

 

Para presidenta do CRN-10, Vânia Passero, esta não é apenas uma troca de sistema; é um investimento direto no futuro da nossa categoria. “Ao migrar para uma tecnologia de ponta, estamos garantindo mais segurança, mais agilidade e, acima de tudo, mais respeito ao tempo do profissional. O novo sistema é a base para um CRN-10 cada vez mais moderno, transparente e eficiente para todos os nossos Nutricionistas e Técnicos em Nutrição e Dietética”, ressalta Vânia.

O que mudará com a nova plataforma?

A migração para um novo sistema trará melhorias significativas, focadas em três pilares essenciais:

Melhor experiência do profissional: O novo sistema será mais intuitivo, rápido e acessível, simplificando processos como emissão de documentos, atualização cadastral e serviços de autoatendimento.

Tecnologia de ponta e mais segurança: A nova plataforma incorporará as mais recentes inovações tecnológicas, elevando o nível de segurança e proteção de dados, em total conformidade com a LGPD.

Gestão mais eficaz da fiscalização: Para o Conselho, o sistema permitirá uma gestão da fiscalização mais inteligente e estratégica. Com ferramentas aprimoradas, o CRN-10 poderá atuar de maneira ainda mais efetiva na proteção da sociedade e na valorização do exercício legal da profissão.

A reunião entre CRN-10, CFN e Implanta Informática reforça o compromisso do Sistema CFN/CRN com a inovação e transparência. “A união de esforços é crucial para a transição, que está sendo cuidadosamente planejada para minimizar qualquer impacto nas atividades dos profissionais”, destacou a presidenta.

O CRN-10 informará os profissionais sobre as etapas da migração e a data de lançamento da nova plataforma, reafirmando o compromisso de trabalhar continuamente para oferecer serviços de excelência.

No Dia Nacional e Internacional da Pessoa Idosa, celebrado em 01 de outubro, o CRN-10 realizou um importante evento em Joinville.  O Seminário para Nutricionistas e Gestores de Instituições de Longa Permanência (ILPIs) teve objetivo de integrar, orientar e divulgar o material técnico elaborado pelo Conselho.

O seminário também marca um ciclo de visitas de orientação e fiscalização, realizados a pedido do Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), entre os meses de agosto de 2024 e junho de 2025. Em todas as visitas foram aplicados os roteiros de visita técnica e elaborados relatórios individuais. Ao todo, 74 ILPIs e 29 nutricionistas foram impactados pelo trabalho.

A programação do Seminário foi composta por apresentações do MPSC, da Vigilância Sanitária Municipal de Joinville, da nutricionista Helena Conceição e do CRN-10.

O evento contou, ainda, com a presença as seguintes autoridades: doutora Graziele dos Prazeres Cunhado, do MPSC, Graziela Vieira de Alcântara, Gerente Regional de Saúde de Joinville que neste evento representava o Secretário de Estado da Saúde, Diogo Demarchi, Karina Antocheves Machado e Carlos Roberto Koepp, ambos Fiscais Sanitários da Vigilância Sanitária Municipal de Joinville, Patrícia Girardi, Coordenadora de Segurança Alimentar e Nutricional da Secretaria de Assistência Social de Joinville, Otanir Matiola, Presidente do Conselho Municipal de Segurança Alimentar e Nutricional de Joinville e Cleia Giosole, Presidente do Conselho Municipal de Saúde de Joinville.

O CRN-10 reafirma seu compromisso com a fiscalização e orientação dos profissionais que atuam nestes espaços, a fim de garantir que a nutrição seja também uma fonte de afeto, respeito e pertencimento.

Confira a cobertura completa aqui!

 

 

 

Nos dias 02 e 03 de outubro o Conselho Federal de Nutrição (CFN) promoveu, em Brasília, um importante encontro, o Seminário Nacional de Planejamento e Governança do Sistema CFN/CRN que reuniu presidentes e gestores dos Conselhos Regionais de Nutrição de todo país. O CRN-10 foi representado pela presidenta Vânia Passero e pela coordenadora administrativa e financeira, Liliane Nieser.

O encontro objetivou fortalecer a gestão e a governança no Sistema, inspirado no legado de Juscelino Kubitschek e no movimento “30 anos em 3: construindo hoje o futuro”. A programação contou com palestras, apresentações de experiências exitosas, dinâmicas em grupo e discussões estratégicas, que visam à modernização da gestão, ao fortalecimento da governança e à entrega de resultados concretos para a profissão e para a sociedade.

“Este foi mais um momento fundamental para reafirmarmos o nosso compromisso com a inovação, a eficiência e a construção de um Sistema CFN/CRN cada vez mais sólido e transformador”, afirmou a presidenta do CRN-10.

A programação inclui, também, palestras de especialistas convidados, representantes do Tribunal de Contas da União (TCU), do Instituto de Governança (IGCP), além de auditoria e controladoria. Também serão realizadas dinâmicas de planejamento estratégico com metodologias como PESTEL, SWOT e Balanced Scorecard, que subsidiarão a construção do Planejamento Estratégico 2026-2028 do Sistema.

 

Celebrado anualmente em 29 de setembro, o Dia Internacional da Conscientização sobre Perdas e Desperdícios de Alimentos (PDA), instituído pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO/ONU), serve como um alerta global para um dos maiores paradoxos da nossa era: enquanto milhões de pessoas enfrentam a fome, toneladas de alimentos são perdidas ou desperdiçadas ao longo de toda a cadeia produtiva.

A complexidade deste problema acarreta profundas implicações sociais, econômicas e ambientais. Desde os sistemas de produção, a cadeia logística de transporte e armazenamento, até a gestão de resíduos pós-consumo, os impactos das perdas e desperdícios de alimentos vão além da elevação de custos e aspectos financeiros, mas também emitem quantidades expressivas de Gases do Efeito Estufa (GEE), contribuindo para o fenômeno das mudanças do clima e agravando a questão da insegurança alimentar. Neste sentido, distinguir perda e desperdício é o primeiro passo para dimensionar o desafio e traçar soluções eficazes.

A diferença conceitual e o peso do problema

A perda de alimentos ocorre nas fases de plantio, colheita e pós-colheita, incluindo transporte, armazenamento e manuseio, antes dos alimentos chegarem na fase de varejo e consumo. A Embrapa destaca que perdas significativas ocorrem no campo devido a práticas de manejo inadequadas e à falta de acesso a tecnologias que poderiam aumentar a eficiência da colheita e do armazenamento, além de dificuldades no escoamento da produção. A perda dos alimentos é mais comum em países em desenvolvimento, e representa cerca de 14% no contexto de perdas e desperdícios no Brasil.

O desperdício de alimentos refere-se aos alimentos que são descartados no varejo e no consumo final (comércio, residências e serviços de alimentação). Comportamentos de compra por impulso, falta de planejamento, embalagens excessivamente grandes, padrões estéticos rigorosos para frutas e vegetais no varejo e o descarte de alimentos ainda próprios para o consumo são os grandes vilões nesta fase. Enquanto as perdas são mais prevalentes em economias em desenvolvimento, o desperdício é um problema global generalizado, e representa cerca de 19% no contexto de perdas e desperdícios, com a maior parte (60%) ocorrendo em residências.

A FAO estima que cerca 30% da produção de alimentos para consumo humano é perdida ou desperdiçada a cada ano. De acordo com o relatório UNEP Food Waste Index Report 2024, isso representa mais de 1 bilhão de toneladas. No Brasil, os números também são alarmantes. Estudos da ONU apontam que o país está entre os dez que mais desperdiçam, embora seja um dos maiores produtores de alimentos do mundo.

Impactos ambientais silenciosos e devastadores: Um modelo insustentável

O sistema alimentar global é uma das maiores e mais complexas redes de atividades humanas, e representa um consumidor massivo de energia e um dos principais motores das emissões antropogênicas de GEE. O relatório ” State of Food Security and Nutrition in the World” (SOFI), publicado anualmente pela ONU, tem consistentemente alertado para as consequências ambientais das perdas e desperdícios de alimentos. A utilização de aproximadamente 30% da área agrícola mundial, e cerca de 38% do consumo total de energia empregada na cadeia produtiva, são exemplos que fazem parte da conta das perdas e desperdício de alimentos. Além disso, a destinação final destes alimentos, geralmente em aterros sanitários, agrava ainda mais o cenário ambiental.

A decomposição anaeróbica da matéria orgânica gera metano (CH₄), um gás de efeito estufa com um potencial de aquecimento global cerca de 28 vezes maior que o do dióxido de carbono (CO₂). Estudos associam a perda e o desperdício de alimentos a cerca de 8 a 10% das emissões
antropogênicas globais de Gases do Efeito Estufa (GEE). Para colocar em perspectiva, isso é quase 5 vezes o total de emissões do setor de aviação.

O aumento da emissão dos GEE, como o CO2 na atmosfera, também aumenta a sua concentração nos oceanos, o que contribui para a acidificação das águas e impacta a biodiversidade marinha. Os recifes de coral, por exemplo, abrigam 25% da vida marinha, e a sua
degradação compromete a reprodução e nutrição de organismos nos níveis tróficos superiores, levando a um declínio dos estoques pesqueiros em todo o planeta. O resultado direto é a menor disponibilidade de proteína para milhões de pessoas, e perdas econômicas para os setores de pesca e aquicultura. Mesmo que o mundo consiga atingir a meta ambiciosa do Acordo de Paris sobre mudanças climáticas – limitar o aumento da temperatura global a 1,5°C – espera-se que 70% a 90% dos corais construtores de recifes morram. Se as temperaturas subirem 2°C, 99% perecerão. O aquecimento e acidificação dos oceanos pode impactar a produção de alimentos para além da biodiversidade marinha, considerando a sua interface com a atmosfera e o seu papel relevante na definição dos padrões climatológicos. A troca de calor entre os oceanos e a atmosfera impulsiona a circulação atmosférica, afetando os padrões de vento, a distribuição da umidade do ar e as temperaturas. Variações na temperatura da superfície do mar podem impactar fenômenos climáticos como o El Niño e a Zona de Convergência Intertropical, alterando a distribuição e a intensidade das chuvas e temperaturas em diversas partes do mundo, com
impactos diretos na agricultura e pecuária.

A ameaça à segurança alimentar é sistêmica, e composta por múltiplos processos interconectados. Não se trata apenas da perda de uma espécie específica, mas da degradação de todo um sistema de produção de alimentos. Portanto, a segurança alimentar global depende
também da nossa capacidade de evitar que o oceano atinja seu ponto de inflexão, um limiar crítico considerado potencialmente irreversível.
Em 2022, apenas 21 países incluíram a perda e/ou redução do desperdício de alimentos em seus planos climáticos nacionais (NDCs). O processo de revisão das NDCs de 2025 oferece uma oportunidade fundamental para aumentar a ambição climática, integrando a perda e o
desperdício de alimentos.

No Brasil, foi lançada em 2018 a Estratégia Intersetorial para a Redução de Perdas e Desperdício de Alimentos, com o objetivo de coordenar ações direcionadas, por meio da gestão mais integrada e intersetorial de iniciativas do governo e da sociedade, de forma alinhada com a
Política Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional, com previsão de ações em 4 eixos: I – Pesquisa, Conhecimento e Inovação, II – Comunicação, Educação e Capacitação, III – Promoção de Políticas Públicas, IV – Legislação. No âmbito das políticas públicas, os Bancos de Alimentos são equipamentos de Segurança Alimentar que atuam na prevenção do desperdício de alimentos, ao fazer a redistribuição de
excedentes alimentares.

Soluções Locais para um Problema Global 

Como parte da Agenda 2030 na qual o Brasil é signatário, o ODS 12- Produção e Consumo Sustentáveis tem como uma das metas “Até 2030, reduzir pela metade o desperdício de alimentos per capita mundial, nos níveis de varejo e do consumidor, e reduzir as perdas de alimentos ao longo das cadeias de produção e abastecimento, incluindo as perdas pós-colheita.”

Os esforços para a implementação de soluções locais contra as perdas e o desperdício de alimentos devem ser colaborativos entre todos os setores da sociedade.

Aproveitamento integral dos alimentos – Lugar de comida é no prato! 

O aproveitamento integral dos alimentos é uma prática sustentável e nutritiva! Cascas, talos e sementes, muitas vezes descartados, são ricos em vitaminas, fibras, minerais e compostos bioativos. Incentivar seu uso em receitas criativas não só reduz o desperdício, mas também
aumenta o valor nutritivo das refeições, sendo uma estratégia viável para residências e serviços de alimentação.

A importância do aproveitamento integral dos alimentos não se restringe aos benefícios individuais, mas se estende ao campo da saúde pública. Essa prática se conecta diretamente com documentos mais amplos, como a “Política Nacional de Alimentação e Nutrição” e o “Guia
Alimentar para a População Brasileira”, que incentivam o consumo de alimentos in natura e a redução de alimentos ultraprocessados. Essa validação eleva a prática de uma simples dica culinária para uma intervenção estratégica em saúde pública.

O sistema alimentar é um componente fundamental para a sustentabilidade e a resiliência. A sua dimensão, no entanto, o posiciona como um dos maiores desafios ambientais do século XXI. O padrão de produção e consumo dos alimentos é responsável por uma parcela importante da emissão de GEE de origem antropogênica. Os relatórios oficiais reiteram a urgência de se abordar essa questão como parte integrante das estratégias de combate às mudanças climáticas e à insegurança alimentar.

Aproveitar integralmente os alimentos, portanto, não é meramente uma tendência culinária, mas um imperativo ético e de saúde, com benefícios que se estendem muito além da mesa do consumidor, culminando em uma sociedade mais saudável e um planeta mais sustentável. O Dia Internacional da Conscientização sobre Perdas e Desperdícios de Alimentos é mais do que uma data no calendário. É um chamado à ação para governos, empresas e cidadãos. Reduzir perdas e desperdícios é uma das formas mais eficazes de combater a fome, mitigar as mudanças climáticas e contribuir para um sistema alimentar mais justo e sustentável para todos.

 

Por: Letícia Zago, Nutricionista, CRN10 0835. Discente do Programa de Mestrado em Clima e Ambiente do IFSC. Conselheira do CRN10, atua como Coordenadora da rede de Bancos de Alimentos do Sesc Mesa Brasil.

Colaboração: Thiago Alves, Oceanógrafo. Mestre em ciência e Tecnologia Ambiental e Doutor em Sistemas Costeiros e Oceânicos. Doscente Coordenador do Programa de Mestrado em Clima e Ambiente do IFSC.

No dia 01 de setembro a Comissão de Cidadania e Direitos Humanos realizou uma audiência pública para discutir os desafios das instituições de Longa Permanência para Idosos (ILPIs) em Joinville. O objetivo foi destacar a importância da parceria entre a Vigilância Sanitária e a 12ª Promotoria do Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) e da importância da equipe multidisciplinar de saúde nestes espaços.

Na ocasião fomos representados pela conselheira Alexandra Hansen que em sua fala destacou todo trabalho realizado pelo Conselho ao longo de 2024/2025, com a realização de ações conjuntas em todas as ILPIS de Joinville em parceria com o MPSC – comarca de Joinville através da 12ª Promotoria de Justiça, e Vigilância Sanitária Municipal.

Essas ação consistiu na realização de visitas técnicas a nutricionistas que atuam nessas ILPIs, que foram conduzidas por agentes de fiscalização – nutricionistas fiscais – com a finalidade de orientar e fiscalizar o profissional por meio da aplicação de um roteiro específico para a área de atuação. Ao todo, 75 instituições foram fiscalizadas em Joinville.

No caso das ILPIs, o nutricionista atua em duas grandes frentes: a Alimentação Coletiva e a Nutrição Clínica. Na Alimentação Coletiva, o profissional elabora cardápios específicos para a população atendida, acompanha a produção das refeições em todas as etapas, do recebimento dos alimentos, compras, armazenamento, pré-preparo, preparo e distribuição as refeições; realiza orientações e treinamento com os manipuladores de alimentos e implanta procedimentos de controle de qualidade. Já na Nutrição Clínica, são realizados os atendimentos clínico nutricionais com os idosos, realizando a avaliação nutricional, chegando ao diagnóstico nutricional do idoso, elaborando a prescrição dietética e registrando a evolução nutricional deles, prescrevendo suplementos, se necessário.

Além das visitas técnicas realizadas in loco em cada instituição, com a devida orientação do nutricionista responsável pelas atividades de alimentação e nutrição com o uso de instrumento padronizado pelo Conselho Federal de Nutrição (CFN), a Comissão de Fiscalização convocou as profissionais para ações orientadoras, momento em que foram ratificadas as atividades que devem cumprir nas ILPI relacionadas à Nutrição Clínica e Nutrição em Alimentação Coletiva, conforme Resolução CFN 600/2018. Essas ações foram divididas em duas etapas, sendo que na primeira data participaram 12 nutricionistas e na segunda ação, 16 profissionais. O CRN-10 realizará, ainda, um evento com o intuito de integrar orientar e divulgar material técnico para nutricionistas que atuam em ILPI, reforçando o papel do Conselho de fiscalizar, orientar e disciplinar o exercício profissional.

 

Na noite do dia 29 de agosto, com os temas Nutrição e saúde mentalComunicação não violenta, o Conselho Regional de Nutrição da Décima Região (CRN-10) realizou um evento especial em comemoração ao Dia do Nutricionista, celebrado anualmente em 31 de agosto. O encontro, que ocorreu em um hotel em Florianópolis, reuniu profissionais de diversas regiões e atuações para uma noite de palestras e trocas de experiências.

Além das temáticas de palestra, toda programação foi pensada para reforçar a campanha Nutrição em todos os lugares, destacando a relevância da profissão em diversos contextos. Por isso, foi lançada oficialmente uma campanha com esta temática. Para conhecer os detalhes e como participar, clique aqui. Além disso, foi entregue um material inédito, que carinhosamente foi batizado como NutriGoods, que será disponibilizado gratuitamente para todos os profissionais do estado, nos próximos dias.

O evento foi oficialmente aberto pela presidenta Vânia Passero, que ressaltou o quão importante é o papel do nutricionista na sociedade. Segundo ela, em um mundo onde a informação circula rápido, mas nem sempre com confiabilidade, o nutricionista é um farol que ilumina o caminho da sociedade rumo a uma vida mais equilibrada. “Nosso papel vai muito além do consultório: ele está em todos os lugares, desmistificando mitos e construindo práticas alimentares que transformam realidades”, reforçou a presidenta. Além disso, Vânia destacou também que além da celebração do Dia do Nutricionista, o momento também era uma oportunidade de comemorar a recente mudança institucional de Conselho Regional de Nutricionistas para Conselho Regional de Nutrição, em consonância com a lei que regulamenta a profissão e que reconhece oficialmente a atuação dos Técnicos em Nutrição e Dietética. “Essa decisão fortalece a nossa categoria e reafirma o nosso compromisso com a pluralidade e a união de todos os profissionais que fazem da nutrição uma ciência viva e transformadora”. Outra importante conquista para a nutrição catarinense, é a nova sede do Conselho, localizada no coração do bairro Estreito. “Agora estamos em um espaço moderno, acessível e pensado para acolher os profissionais da nossa região. Convido vocês a conhecerem a nossa nova sede e compartilharem conosco deste marco que é fruto de muito trabalho, planejamento e dedicação de várias gestões, em especial das duas últimas”, enalteceu a presidenta. Vânia aproveitou o momento para registrar seu profundo agradecimento ao Conselho Federal de Nutrição (CFN), que tem sido um parceiro fundamental nesse processo de fortalecimento da profissão, e em especial à nossa vice-presidente Carla Galego, pelo apoio constante e pelo olhar atento às demandas da categoria.

Na sequência, a vice-presidente do CFN, Carla Galego, ressaltou que o trabalho que vem sendo realizado no CFN vai muito além de uma reorganização administrativa. É um movimento de transformação que impactará todo o Sistema CFN/CRN e ampliará as oportunidades para toda a categoria. “Em 2025 avançamos com coragem em um processo de profissionalização, inovação e fortalecimento institucional. Construímos as bases de um Conselho mais moderno, eficiente e preparado para dialogar com a sociedade”, destacou Carla. Entre as conquistas, a vice-presidente ressaltou o aumento de 43% na força de trabalho, a estruturação de um setor exclusivo para fiscalização que será implantado em 2026, o lançamento do Programa Impulsiona que está unificando sistemas de todo o país, a criação do Núcleo de Contratações, fortalecimento da Gerência Administrativa e Financeira, a implantação do Controle Interno, a expansão da Auditoria e, pela primeira vez na história do Sistema, foi instituída a Ouvidoria para garantir mais integridade, transparência, escuta ativa e conformidade com as melhores práticas. Também este ano, o Sistema CFN realizou a sua maior participação da história no CONASEMS, o que resultou em um destaque nacional. A campanha contra a desinformação chegou à final do Prêmio Marco Maciel, colocando o CFN entre os conselhos mais relevantes do Brasil. A valorização profissional também ganhou espaço com o programa Conecta+ que se tornou um espaço de integração Sistema e de diálogo com a sociedade, consolidando nossa presença e liderança. Com foco em pessoas e inclusão, foram implementados avanços concretos como a redução da jornada para mães e pais de crianças autistas e melhorias nos benefícios, impactando diretamente na motivação e qualidade de vida da equipe. “O CFN que estamos construindo é mais forte, mais ágil e mais conectado com a realidade do nutricionista. Estamos apenas no início dessa jornada, mas já é possível sentir os frutos da mudança. Este novo tempo de crescimento e profissionalização pertence a todos nós e depende da união do CFN com cada regional, com cada conselheiro e com cada profissional”, finalizou Carla Galego.

 

Palestras

O ponto alto do evento foi a abordagem sobre saúde mental e comunicação não violenta na profissão. A primeira palestra, conduzida pela Nutricionista Gabriela Pimentel (CRN-3/27416) que é especialista em Nutrição Clínica Funcional e instrutora de Mindful Eating. Durante toda sua palestra, Gabriela ressaltou a importância do autocuidado. “Permitam-se ser cuidados, permitam-se traçar um plano de autocuidado, pois isso fará com que vocês sejam melhores cuidadores e, com certeza, vocês já estão expressando o propósito de vocês”, destacou a nutricionista.

A segunda palestra, conduzida pela nutricionista Adriana Salum (CRN-10/0199) trouxe reflexões sobre a importância da comunicação não violenta, especialmente no contexto profissional. Ela ressaltou que a autoanálise é uma excelente ferramenta para minimizar ruídos de comunicação que podem resultar em uma comunicação inadequada e trouxe exemplos de formas respeitosas para lidar com situações difíceis. “Entender o lado do outro, estabelecer limites e que o importante não é ter sempre razão, são caminhos bastante promissores”, explicou. Adriana é conselheira efetiva do CRN-10 e atual vice-presidente do Conselho na gestão 2024-2027. Ela substitui a palestrante Fabiana Poltronieri (CRN-3/13008) que não pode se fazer presente por questões de saúde e indicação médica.

 

Homenagens e reconhecimento

Para tornar o Dia do Nutricionista ainda mais especial, o Sistema CFN/CRN propôs a iluminação de prédios e espaços públicos na cor verde, e homenagem a profissão que é tão importante para promoção de saúde. Os profissionais foram incentivados a registrarem e compartilharem as fotos nas redes sociais, marcando o CFN e CRN-10 para que a força dessa comemoração seja ainda maior.

Confira os dias e locais que estarão iluminados:

De sexta a segunda-feira (29/08 á 01/09)
– Morro da Cruz – Lages

Domingo (31/08)
– Ponte Hercilio Luz – Florianópolis,
– Tribunal de Contas de Santa Catarina (TCE) – Florianópolis
– Câmara Municipal de São José,
– Prefeitura Municipal de São José,
– Roda Gigante Big Wheel – Balneário Camboriú

Segunda-feira (01/09)
– Assembleia Legislativa de Santa Catarina – Florianópolis.

 

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